As alergias alimentares (FAs) estão cada vez mais comuns – e hoje afetam até 10% das crianças e 4% dos adultos no mundo. Mas você sabia que a microbiota intestinal pode ter um papel decisivo nesse processo?

A importância da barreira intestinal

A microbiota se comunica com o intestino por meio das células epiteliais e ajuda a manter a barreira intestinal. Essa interação estimula a produção de IL-22, uma citocina que protege o intestino e evita a entrada exagerada de alérgenos. Isso ajuda a evitar a ativação exagerada das células imunes Th2 e Th17, que estão ligadas às reações alérgicas.

Quando o equilíbrio se perde

Em casos de alergia alimentar, esse equilíbrio se quebra. A inflamação e os danos no intestino aumentam a entrada de alérgenos e a liberação de substâncias inflamatórias como IL-33 e IL-25, agravando o quadro alérgico.

Além disso, estudos mostram que ocorre um desequilíbrio na microbiota, com alterações nas proporções de Firmicutes/Bacteroidetes (F/B) e Enterobacteriaceae/Bacteroidaceae (E/B) – fatores que podem influenciar diretamente no desenvolvimento ou agravamento da alergia.

Dieta como ferramenta de intervenção

A boa notícia é que a alimentação tem um papel importante nessa história. Certos alimentos e nutrientes podem modular a microbiota intestinal e, com isso, ajudar a aliviar os sintomas das alergias:

Por outro lado, dietas ricas em gorduras e produtos com reações de Maillard (resultado do aquecimento de açúcares com proteínas) podem agravar o quadro, afetando negativamente a microbiota e aumentando a resposta alérgica.

O papel do nutricionista na prática

Compreender esses mecanismos é essencial para o profissional de nutrição que deseja atuar de forma estratégica na saúde intestinal e no controle das alergias. Através de uma Nutrição Funcional, é possível adaptar a dieta, melhorar a tolerância alimentar e promover equilíbrio no sistema imune — especialmente em quadros de alergias alimentares.

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