A relação entre o consumo de ácidos graxos saturados e o risco cardiovascular foi estudada em cerca de 400.000 pessoas e resumida em uma série de revisões sistemáticas de estudos observacionais e ensaios randomizados. Algumas recomendações sobre a combinação entre hábitos alimentares, genética e o risco cardiovascular repetidas nas últimas décadas podem estar sujeitas a alterações.

Neste artigo Iremos explorar:
ToggleGordura saturada e risco cardiovascular
Algumas meta-análises não encontraram evidências de que a redução no consumo de gordura saturada pode diminuir a incidência ou a mortalidade por doença cardiovascular, enquanto outros estudos relataram um efeito benéfico significativo, ainda que leve. Sendo assim, a base para recomendar consistentemente uma dieta pobre em gordura saturada não é definitiva.
Reduzir o consumo de ácidos graxos saturados para prevenção de doenças cardiovasculares pode ser uma orientação não mais aplicável.
Os efeitos dos alimentos na saúde não podem ser previstos pelo seu conteúdo, em nenhum grupo específico de nutriente, sem considerar a distribuição geral de macronutrientes.
Diferentes ácidos graxos saturados têm diferentes efeitos biológicos, que são modificados pela matriz alimentar. Laticínios integrais, carnes não processadas e chocolate amargo, por exemplo, apesar de ricos em ácidos graxos saturados, quando inseridos numa matriz complexa não estão associados ao aumento do risco cardiovascular.
As diferentes associações para ácidos graxos saturados com estruturas físicas, químicas e metabólicas variadas justificam os efeitos divergentes dos diferentes ácidos graxos saturados nos lipídios do sangue, na homeostase da glicose-insulina, na resistência à insulina e no desenvolvimento de diabetes.
Hábitos alimentares, a genética e o risco
O impacto dos ácidos graxos saturados dietéticos na saúde deve considerar o importante papel da ingestão de carboidratos e o grau subjacente de resistência à insulina, os quais afetam significativamente a maneira como o corpo processa a gordura saturada.
Dietas com baixo teor de carboidratos aumentam consistentemente as taxas de oxidação da gordura corporal total, o que inclui o uso preferencial de ácidos graxos saturados como combustível.
A combinação de maior oxidação de gordura e atenuação da lipogênese hepática poderia explicar por que a maior ingestão de gordura saturada está associada a menores ácidos graxos saturados circulantes diante da baixa ingestão de carboidratos.
É importante distinguir entre gordura saturada dietética e ácidos graxos saturados circulantes. As atuais evidências não mostram associação entre ingestão aumentada de ácidos graxos saturados e o risco de doença crônica, mas indivíduos com níveis circulantes mais altos de ácidos graxos saturados têm maior risco de desenvolver síndrome metabólica, diabetes, doença cardiovascular, insuficiência cardíaca e mortalidade.
Os estudos também sugerem que variantes genéticas podem modular a relação entre os ácidos graxos saturados dietéticos e os biomarcadores para doenças cardiovasculares.
Novas recomendações
O preconceito de longa data contra alimentos ricos em gorduras saturadas deve ser substituído pela postura de recomendar dietas compostas por alimentos saudáveis. Os autores sugerem alguns passos para a adoção dessas novas recomendações:
- Aumentar a compreensão do público de que muitos alimentos (por exemplo, laticínios integrais) que desempenham um papel importante nas recomendações nutricionais também podem ser ricos em gorduras saturadas.
- Conscientizar o público de que dietas com poucos carboidratos e ricas em gordura saturada, que são populares para controlar o peso corporal, também podem melhorar os desfechos de doenças metabólicas em alguns indivíduos.
- Mudar o foco do paradigma atual, que enfatiza o teor de gordura saturada dos alimentos como chave para a saúde, para aquele que se concentra em alimentos tradicionais. Assim, nutricionistas, profissionais da saúde e o público em geral podem facilmente identificar fontes saudáveis de gorduras saturadas.
- Traduzir as recomendações em padrões alimentares apropriados e culturalmente sensíveis para que sejam compreendidos e adotados por diferentes populações.
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Referência
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