A resistência à insulina (RI) está no centro de uma série de doenças metabólicas de diabetes tipo 2 à obesidade, passando por aterosclerose, doença renal crônica e cardiovasculopatias.
Por isso, encontrar marcadores confiáveis, acessíveis e precoces para identificar esse quadro é essencial na prática clínica.

Neste artigo Iremos explorar:
ToggleO que é o IGH?
O índice de glicação da hemoglobina (IGH) foi desenvolvido para aprimorar a interpretação da HbA1c.
Apesar de ser um marcador clássico, a HbA1c pode ser influenciada por fatores além da glicose, como inflamação, estresse oxidativo, acidez sanguínea e renovação das hemácias o que dificulta sua interpretação isolada.
O IGH busca corrigir essas distorções, comparando a HbA1c observada com a HbA1c esperada para um determinado nível de glicemia. A diferença entre elas (IGH) pode indicar riscos adicionais, como maior formação de produtos de glicação avançada (AGEs), resistência insulínica e risco cardiovascular, mesmo em não diabéticos.
E o índice TyG?
O índice triglicerídeo-glicose (TyG) é outro marcador promissor e simples, baseado em exames de rotina: glicemia de jejum e triglicerídeos. Ele vem sendo cada vez mais usado como um substituto confiável do HOMA-IR, e até mais sensível em algumas populações.
Além da RI, o TyG também tem sido associado a maior risco de esteatose hepática e aterosclerose, sendo útil mesmo em indivíduos aparentemente saudáveis.
Evidência prática: o que o estudo mostrou?
Um estudo transversal avaliou 32 pessoas sem diabetes e identificou uma correlação significativa entre o IGH e o TyG, ambos também associados ao HOMA-IR: marcador clássico de resistência à insulina.
Mesmo com uma amostra pequena, os resultados foram claros: tanto o IGH quanto o TyG são ferramentas confiáveis para avaliar a sensibilidade à insulina e o metabolismo da glicose, podendo ser usados de forma complementar na clínica.
Por que isso importa para a saúde metabólica?
Quanto mais cedo conseguimos identificar resistência à insulina, maiores as chances de prevenir suas consequências.
Esses biomarcadores permitem detectar alterações antes que a glicemia em jejum ou a HbA1c saiam da faixa de normalidade oferecendo uma leitura mais fina da saúde metabólica.
Além disso, ajudam a entender nuances da resposta individual ao metabolismo da glicose, especialmente em pacientes com sobrepeso, obesidade ou síndrome metabólica, mas com exames “normais”.

O papel do nutricionista
O nutricionista pode e deve incorporar esses marcadores à sua prática, especialmente na análise integrada de exames laboratoriais funcionais.
Avaliar o IGH e o TyG permite:
- Identificar risco metabólico antes da instalação de doenças crônicas
- Individualizar estratégias nutricionais com base na resposta glicêmica e lipídica
- Monitorar intervenções de forma mais sensível do que apenas com glicemia e HbA1c
- Orientar o paciente sobre seu risco futuro de forma mais precisa
Na Nutrição Funcional, esses índices podem ser aliados na modulação de inflamação, estresse oxidativo e saúde metabólica, antes mesmo que a doença se manifeste.