
A CNN Brasil e o jornal O Estado de S. Paulo divulgaram uma pesquisa realizada pelas Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) alertando que o número de internações por câncer de intestino aumentou 64% nos últimos dez anos.
São milhares de vidas impactadas por essa doença. Só em 2021, 19.924 vidas foram perdidas para o câncer de cólon no país. Há um consenso geral de que a propagação do câncer intestinal se deve ao maior consumo de alimentos ultraprocessados, baixa ingestão de fibras e líquidos, além de sedentarismo, tabagismo e alcoolismo.
Neste artigo Iremos explorar:
ToggleO que causa o câncer de intestino
“O câncer colorretal sempre foi prevalente, mas os números vêm aumentando, e ele já é o segundo mais comum tanto para homens quanto para mulheres”, explica o cirurgião Marcelo Averbach, do Hospital Sírio-Libanês, coordenador nacional da campanha março azul para prevenção do câncer de intestino. “O aumento do número de casos é decorrente, basicamente, de condições ambientais, sobretudo da dieta, rica em alimentos ultraprocessados e embutidos, baixa ingestão de fibras e de líquidos. Além disso, há outras questões comportamentais, como sedentarismo, tabagismo e alcoolismo”.
Isso significa que milhares de vidas podem ser salvas com mudanças na alimentação e no estilo de vida. Os profissionais da saúde podem e devem atuar na prevenção das doenças crônicas não transmissíveis. O cuidado com a saúde intestinal dos pacientes é parte importante dessa conduta de prevenção.
Resposta da Nutrição Funcional
Na visão da Nutrição Funcional, a promoção da saúde intestinal envolve várias medidas. Algumas delas são:
Aumentar o consumo de fibras. Esse é o fator mais importante na prevenção do câncer intestinal. As fibras advindas de frutas, verduras, legumes, sementes, oleaginosas, raízes e tubérculos são fermentadas por bactérias intestinais que produzem ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato. O butirato produzido pelas bactérias intestinais possui efeito antitumoral, inibindo a proliferação de células tumorais e induzindo a morte programada dessas células.
Hoje em dia, já existe a suplementação de butirato, mas a suplementação de prebióticos, como inulina, GOS, FOS e goma acácia, é a melhor forma de modular o microbioma e induzir a produção de butirato por bactérias intestinais.
A associação de probióticos e prebióticos é uma intervenção que melhora a saúde intestinal, modula o sistema imune, protege contra infecções e favorece a produção de posbióticos antitumorais.
Evitar frituras, álcool, açúcares, ultraprocessados e excesso de gordura saturada também é essencial para uma boa saúde intestinal.
Além da nutrição e hidratação, o tratamento pela Nutrição Funcional também engloba outras questões de estilo de vida que compõem a base da matriz, como: exercício e movimento, sono e relaxamento, estresse e resiliência, relacionamentos e trabalho em equipe.
O sono é um importante ponto de cuidado da saúde intestinal pela Nutrição Funcional. A fisiologia do sistema gastrointestinal segue flutuações diurnas regulares. Sendo assim, a homeostase circadiana está relacionada a um funcionamento gastrointestinal ideal. A interrupção dos ritmos circadianos e uma má qualidade de sono podem afetar a função do trato gastrointestinal, resultando no aparecimento de doenças.
Atuação para prevenção
O profissional que aplicar a Nutrição Funcional em sua prática clínica estará abordando todos esses pontos em conjunto no tratamento do paciente. Consequentemente, estará contribuindo para a prevenção do câncer intestinal.
O profissional ativo na prevenção de doenças não espera que o paciente fique doente para fazer alguma coisa. A Nutrição Funcional trata pessoas, não doenças. Esse perfil de atuação pode contribuir para reverter o cenário alarmante de aumento de incidência de câncer intestinal, bem como de outras doenças.
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