Entre os determinantes ambientais da obesidade e suas comorbidades, a microbiota intestinal passou recentemente a ser considerada como um fator de impacto significativo. Foi demonstrado o seu papel no equilíbrio energético humano. Sabe-se que a atividade metabólica dos micróbios intestinais afeta diretamente a homeostase energética do hospedeiro e variações da composição do microbioma estão associadas à obesidade.

Neste artigo Iremos explorar:
ToggleImpacto da microbiota intestinal
Em uma perspectiva evolutiva, pode-se especular que o aumento da extração de energia de alimentos ingeridos ocorreu em virtude do vasto arsenal enzimático de bactérias intestinais. A diversidade da microbiota seria uma vantagem em condições de disponibilidade limitada de alimentos.
Hoje em dia, a maior disponibilidade de alimentos nos países ocidentais e as mudanças na proporção de componentes da dieta alteraram significativamente a composição da nossa microbiota intestinal. Os principais comportamentos responsáveis por essa alteração são o aumento da ingestão de açúcar e gordura (principalmente ácidos graxos insaturados), a redução na ingestão de carboidratos de origem vegetal, o consumo de alimentos processados com amplo uso de antimicrobianos conservantes e o abuso de antibióticos.
Microbiota e obesidade
O excesso de gordura corporal e suas consequências metabólicas são epidemias mundiais que afetam tanto países desenvolvidos como emergentes. As comorbidades metabólicas mais frequentemente associadas ao excesso de gordura corporal abdominal e à obesidade são dislipidemia, resistência à insulina, hipoglicemia, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.
Apesar do risco aumentado para o desenvolvimento de síndrome metabólica ou doenças cardiovasculares, dados recentes sugerem que não apenas a massa de gordura corporal, mas um estado sistêmico de aumento da inflamação subclínica de baixo grau e de disfunção metabólica local pode explicar o potencial patogênico de acúmulo de tecido adiposo apesar de causas genéticas ou ambientais.
Suplementação para homeostase energética
As cepas probióticas podem interagir com o eixo cérebro-intestino, produzindo, após a fermentação das fibras, AGCC ou moléculas específicas que regulam a ingestão de nutrientes do hospedeiro ou o gasto de energia. Vários estudos elucidaram mecanismos biológicos que sustentam a eficácia clínica observada do uso de compostos pró e prebióticos selecionados para o controle de peso.
Frutanos (fruto-oligossacarídeos, inulina) e galactanos (galactomanan ou outros galacto-oligossacarídeos) são os prebióticos que dominam este grupo de compostos, cuja ação é mediada através do enriquecimento de espécies de Lactobacillus e/ou Bifidobacterium. Alguns ensaios foram realizados com simbióticos para investigar seus efeitos combinados na perda e manutenção de peso em adultos ou crianças obesas.
A suplementação da dieta com simbióticos preparados com cepas selecionadas, como Lactobacillus gasseri, mostrou exercer redução de peso e atividade anti-inflamatória. Sua administração, juntamente com fibras de galactomanana e/ou inulina, pode aumentar os efeitos de controle de peso devido ao efeito sinérgico na produção AGCC e na reconfiguração da microbiota.
A perda de peso induzida pelo simbiótico também foi associada a reduções na massa de gordura visceral, nas concentrações circulantes de leptina e efeitos benéficos claros sobre a circunferência da cintura, IMC, VFA e circunferência do quadril em pessoas com excesso de peso.
Visar a composição da microbiota intestinal e as funções metabólicas com uso de pró ou prebióticos pode representar uma ferramenta promissora para prevenção e tratamento da obesidade e suas comorbidades.
Referência
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