Microbiota infantil e alergias

As doenças alérgicas são um dos principais desafios médicos da atualidade e a sua prevalência vem aumentando constantemente à medida que a sociedade se desenvolve. Esse aumento está associado a diversos fatores como higiene melhorada, uso frequente de antibióticos, tamanho familiar reduzido, hábitos alimentares alterados e contato limitado com a natureza. Tal contexto é importante para compreender a relação entre a microbiota infantil e o desenvolvimento de alergias. 

Relação entre a microbiota infantil e o desenvolvimento de alergias

Desenvolvimento da microbiota intestinal

O aumento da prevalência de alergias observado nas últimas décadas pode ser consequência de disbiose intestinal precoce. A microbiota intestinal é formada nos primeiros 1000 dias de vida, quando é particularmente sensível a vários fatores, como composição da microbiota materna, tipo de parto, alimentação do bebê, número de irmãos, contato com animais e antibioticoterapia. 

Amamentação e parto vaginal afetam favoravelmente a formação da microbiota intestinal de uma criança e protegem contra o desenvolvimento de alergias. O número crescente de cesáreas se correlaciona com um aumento da incidência de alergia alimentar e asma.

Todos esses fatores, que estão associados ao desenvolvimento progressivo das sociedades e aumentam o risco de alergias, também afetam muito a microbiota intestinal.Há evidências de que o aumento da prevalência de alergias observado nas últimas décadas pode ser consequência da disbiose intestinal desenvolvida na infância.

Bebês nascidos por cesariana são privados da exposição à microbiota materna, o que resulta em uma disbiose observável já nos primeiros dias de vida.A microbiota intestinal desses neonatos parece ser menos diversa, em termos de espécies bacterianas, do que a microbiota de bebês nascidos de parto vaginal. Estudos epidemiológicos confirmaram que partos cesáreos estão correlacionados com aumento da incidência de alergias e asma.

A exposição a antibióticos é outro fator importante que molda a microbiota intestinal. A antibioticoterapia em lactentes e crianças pequenas pode ter um impacto significativo no processo de desenvolvimento da microbiota e na programação microbiana dos mecanismos antialérgicos mais tarde na vida. Como consequência disso, o aumento no uso de antibióticos no período inicial do desenvolvimento se correlaciona com um aumento nas taxas de alergia.

Relação entre a microbiota e as alergias

Por outro lado, a amamentação exclusiva pode reduzir o risco de desenvolvimento de dermatite atópica, asma e alergias. O leite materno contém grandes quantidades de componentes biologicamente ativos que têm um impacto significativo no desenvolvimento da microbiota intestinal.

A microbiota intestinal dos lactentes é caracterizada por uma dominância precoce de Bifidobacterium, que tem importante papel no desenvolvimento da tolerância imunológica. O leite humano, que contém oligossacarídeos prebióticos e bactérias probióticas, é um alimento natural simbiótico, com efeitos benéficos conhecidos na microbiota intestinal, barreira intestinal e imunidade sistêmica. 

A amamentação é a fonte ideal de nutrição no início da vida. Protege contra o desenvolvimento de alergias, mesmo em crianças com predisposição genética ou que tenham nascido por cesariana. As fórmulas simbióticas destinam-se a refletir a composição do leite materno humano e buscam proteger os lactentes não amamentados contra a disbiose intestinal e suas consequências a longo prazo, como o desenvolvimento de condições alérgicas.

Referência

Cukrowska, Bożena et al. “The Relationship between the Infant Gut Microbiota and Allergy. The Role of Bifidobacterium breve and Prebiotic Oligosaccharides in the Activation of Anti-Allergic Mechanisms in Early Life.” Nutrients vol. 12,4 946. 29 Mar. 2020, doi:10.3390/nu12040946


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