Pode o microbioma influenciar o desenvolvimento do TDAH?

Os microrganismos residentes no trato gastrointestinal desempenham um papel importante na proteção dos humanos contra potenciais patógenos. Também exercem propriedades neuroativas, que explicam porque eles não influenciam apenas o intestino, mas também o cérebro. Assim, pesquisadores investigam a potencial relação entre o microbioma bacteriano, o desenvolvimento e a progressão do transtorno do déficit de atenção-hiperativo (TDAH).

Microbioma e TDAH

Propriedades neuroativas do microbioma

O eixo microbiota-intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional entre a microbiota intestinal e o sistema nervoso central. Estima-se que mais de 1014 microrganismos, que incluem bactérias, archaea e eucariotos, residam no trato gastrointestinal. De acordo com os estudos mais recentes, isso resulta em um número aproximadamente igual de células microbianas em comparação com as células humanas em um indivíduo.

Pesquisas mostram a grande importância de uma composição microbiana saudável no intestino em um estágio inicial da vida, período também caracterizado pelo neurodesenvolvimento intenso em humanos. Várias pesquisas concluíram que a disbiose intestinal pode influenciar o neurodesenvolvimento a curto prazo, mas também pode levar a questões de saúde mental mais tarde na vida.

Saúde do microbioma e TDAH

A disbiose intestinal infantil ou na idade adulta não só tem sido associada a várias doenças, como síndrome do intestino irritável ou obesidade, mas também com transtornos psiquiátricos como, por exemplo, o transtorno do déficit de atenção-hiperativo (TDAH). Em torno de 30-60% das crianças continuam a apresentar sintomas de TDAH na idade adulta.

Um artigo de revisão verificou a influência do microbioma no desenvolvimento do TDAH e referiu que a população com TDAH tem uma composição microbiana intestinal diferente em comparação com controles saudáveis. O filo Actinobacteria é mais abundante em pacientes com TDAH do que o filo Firmicutes.

O gênero Bifidobacterium, pertencente ao filo Actinobacteria, parece desempenhar um papel significativo na patogênese do TDAH. As bifidobactérias não apenas protegem a função de barreira no intestino e suportam uma resposta imune saudável, mas também influenciam o sistema de dopamina, elevando seus níveis.

Foi identificado que o Bifidobacterium foi diminuído nos nascidos por cesariana, nos prematuros, naqueles amamentados artificialmente ou que receberam antibióticos nos primeiros meses de vida. Todos esses fatores estão simultaneamente associados a um risco aumentado de desenvolver TDAH. No entanto, são necessários mais estudos para uma correlação definitiva entre os níveis de Bifidobacterium e TDAH.

Devemos valorizar a importância da prevenção do nascimento prematuro como profilaxia e cuidados de nutrição como medida terapêutica prospectiva contra o TDAH.

Referências

Bull-Larsen, Stephanie, and M Hasan Mohajeri. “The Potential Influence of the Bacterial Microbiome on the Development and Progression of ADHD.” Nutrients vol. 11,11 2805. 17 Nov. 2019, doi:10.3390/nu11112805


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