
As ervas medicinais vêm sendo utilizadas há milênios como parte essencial das medicinas tradicionais, e seu papel na prevenção e tratamento de úlceras gástricas e duodenais tem ganhado cada vez mais respaldo científico.
A combinação de eficácia terapêutica, fácil acesso e baixo custo faz com que produtos à base de plantas continuem sendo amplamente aceitos e pesquisados pela comunidade científica moderna.
Neste artigo Iremos explorar:
ToggleFitoterapia e Gastroproteção
Estudos farmacológicos recentes identificaram 97 espécies de plantas medicinais ativas, pertencentes a 58 famílias botânicas, com potencial comprovado para alívio e tratamento de úlceras.
Entre as famílias com maior destaque, Leguminosae e Compositae (cada uma com sete espécies identificadas) se mostraram mais relevantes.
Outras famílias com potencial gastroprotetor incluem:
Anacardiaceae, Lamiaceae, Myrtaceae, Rutaceae, Paeoniaceae, Malvaceae, Acanthaceae, Euphorbiaceae, Cucurbitaceae e Rubiaceae.
Essas plantas contêm compostos bioativos com propriedades antiulcerogênicas, capazes de proteger a mucosa gástrica e reduzir a inflamação.
Mecanismos de Ação: Como as Plantas Protegem o Estômago
Os efeitos protetores dessas plantas estão ligados principalmente às suas ações antioxidantes e anti-inflamatórias.
Elas atuam em múltiplos níveis:
- Aumentam enzimas antioxidantes como glutationa peroxidase, catalase e superóxido dismutase (SOD);
- Reduzem o estresse oxidativo, minimizando lesões nas células da mucosa;
- Elevam os fatores de proteção gástrica (como muco e bicarbonato);
- Regulam negativamente citocinas pró-inflamatórias, prevenindo danos à mucosa e acelerando a cicatrização.
Além disso, 29 compostos fitoquímicos isolados dessas plantas foram identificados com propriedades antiulcerogênicas diretas, reforçando o potencial terapêutico da fitoterapia.
Fitoterapia e Medicina Convencional: Caminhos que se Cruzam
Os resultados sugerem que muitos fitoterápicos apresentam eficácia comparável aos medicamentos antiulcerosos tradicionais, como inibidores da bomba de prótons e anti-H2, porém com menor risco de efeitos colaterais.
Entretanto, os pesquisadores destacam a necessidade de mais estudos clínicos comparativos, para estabelecer dosagens seguras, protocolos terapêuticos e possíveis sinergias com fármacos convencionais.
O Papel do Nutricionista
O nutricionista tem papel essencial na integração da fitoterapia com a nutrição clínica, especialmente em casos de distúrbios gastrointestinais e inflamatórios.
Entre suas funções:
- Avaliar sintomas digestivos e fatores dietéticos associados à gastrite e úlcera;
- Prescrever alimentos e fitoterápicos gastroprotetores, com base em evidências científicas;
- Orientar sobre o uso seguro de chás e extratos de plantas medicinais;
- Apoiar a regeneração da mucosa gástrica com nutrientes como zinco, glutamina e vitamina A;
- Trabalhar de forma integrada com o médico e o fitoterapeuta, promovendo um cuidado multidisciplinar e natural.
A fitoterapia não substitui o tratamento médico, mas pode ser uma poderosa aliada na recuperação e prevenção das doenças gástricas.
Referência:
Kumar, S., Patel, R., & Singh, A. (2024). Medicinal plants with antiulcerogenic properties: A comprehensive pharmacological review. Journal of Ethnopharmacology, 317, 116874. https://doi.org/10.1016/j.jep.2024.116874