
Nos últimos anos, a ciência tem buscado marcadores simples, acessíveis e eficazes para prever desfechos cardiovasculares adversos. Entre eles, o índice triglicerídeos-glicose (TyG) e a hiperuricemia (elevação do ácido úrico no sangue) vêm ganhando destaque como ferramentas clínicas promissoras na avaliação do risco metabólico e cardiovascular.
Neste artigo Iremos explorar:
ToggleResistência à Insulina: o ponto de partida
A resistência à insulina (RI) é caracterizada pela diminuição da sensibilidade dos tecidos à insulina, o que leva a um aumento da glicemia e ao desequilíbrio metabólico.
Ela é um dos principais mecanismos fisiopatológicos por trás de doenças como:
- Diabetes tipo 2 (DM2)
- Doença cardiovascular (DCV)
- Hipertensão arterial sistêmica (HAS)
- Doença renal crônica (DRC)
A disfunção metabólica causada pela RI gera inflamação, estresse oxidativo e disfunção endotelial, pilares centrais no desenvolvimento de eventos cardiovasculares.
Hiperuricemia: o elo inflamatório
O aumento do ácido úrico no sangue (hiperuricemia) não é apenas um marcador metabólico ele contribui diretamente para o dano vascular.
Esse quadro está associado a:
- Aumento do estresse oxidativo;
- Proliferação de células musculares lisas nas artérias;
- Liberação de citocinas inflamatórias;
- Lesão endotelial crônica.
A hiperuricemia também se relaciona com declínio da função renal, resistência à insulina e maior risco de doenças cardiovasculares, consolidando-se como um importante biomarcador de risco.
O Índice TyG: uma ferramenta moderna e prática
O índice TyG, obtido a partir de medidas simples de triglicerídeos e glicose de jejum, tem se mostrado um marcador confiável de resistência à insulina, com maior sensibilidade e especificidade que o tradicional HOMA-IR.
Estudos indicam que o TyG se correlaciona com múltiplos mecanismos fisiopatológicos, incluindo:
- Obstrução e espessamento arterial coronariano;
- Calcificação arterial;
- Hipertensão arterial;
- Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
Quanto maior o valor do TyG, maior o risco de eventos cardiovasculares e mortalidade geral, independentemente de outros fatores de risco.
Interpretação clínica
A combinação entre TyG elevado e hiperuricemia potencializa o risco de desfechos cardiovasculares adversos, representando um estado de inflamação e disfunção metabólica.
Esses marcadores permitem identificar precocemente indivíduos com risco residual elevado, mesmo após controle glicêmico ou lipídico adequado, favorecendo uma abordagem preventiva mais direcionada.
O Papel do Nutricionista
O nutricionista exerce papel estratégico na modulação desses marcadores por meio de intervenções nutricionais personalizadas:
- Avaliar perfis metabólicos e laboratoriais, incluindo TyG e ácido úrico;
- Prescrever dietas anti-inflamatórias e de baixo índice glicêmico, com foco em alimentos naturais e controle de peso;
- Orientar hidratação adequada e redução do consumo de frutose, álcool e carnes processadas — fatores que elevam o ácido úrico;
- Acompanhar marcadores bioquímicos e resposta clínica de forma contínua;
- Trabalhar junto à equipe multiprofissional, integrando estratégias nutricionais com o manejo clínico e farmacológico.
Referência:
Zhao, Y., Zhang, H., Li, X., Wang, T., & Chen, J. (2024). Association of triglyceride-glucose index and hyperuricemia with adverse cardiovascular outcomes: Insights from a nationwide cohort study. Frontiers in Cardiovascular Medicine, 11, 1452731. https://doi.org/10.3389/fcvm.2024.1452731