O microbioma humano é um ecossistema complexo formado por trilhões de microrganismos — bactérias, arqueas, vírus e eucariotos — que colonizam praticamente todo o corpo humano. Embora esses microrganismos estejam presentes na pele, nas vias respiratórias e na cavidade oral, a maior concentração está no intestino, onde exercem papéis essenciais para a imunidade, o metabolismo e a proteção contra doenças.
Neste artigo Iremos explorar:
ToggleOnde vivem e como atuam
Os anaeróbios facultativos dominam o trato gastrointestinal, enquanto os aeróbios estritos são mais comuns na pele, cavidade nasal e trato respiratório.
Essas populações não são estáticas elas mudam ao longo da vida e sofrem influência direta de fatores como:
- Idade e genética
- Alimentação e estilo de vida
- Exposição a medicamentos e antibióticos
- Alterações hormonais e presença de doenças
Essas variações determinam o equilíbrio (ou o desequilíbrio) da microbiota e, portanto, o impacto que ela terá sobre a nossa saúde.
O que acontece quando há disbiose
Quando a microbiota intestinal se desequilibra, ocorre a disbiose, caracterizada pela redução de microrganismos benéficos e aumento de espécies patogênicas.
Esse processo pode:
- Comprometer a resposta imunológica;
- Aumentar a permeabilidade intestinal (intestino “vazado”);
- Permitir a passagem de toxinas e microrganismos para a corrente sanguínea;
- Desencadear inflamação sistêmica, base de diversas doenças crônicas.
A disbiose também está relacionada à síntese de compostos nitrogenados tóxicos que prejudicam as junções epiteliais, além de aumentar a produção de metabólitos inflamatórios, como o TMAO, que têm sido associados ao risco de doenças cardiovasculares.
O eixo intestino-pulmão: uma conexão pouco falada
O intestino e o pulmão mantêm uma comunicação bidirecional conhecida como eixo intestino-pulmão.
Uma microbiota intestinal desequilibrada pode alterar o microbioma pulmonar por meio de microaspiração bacteriana, aumentando a inflamação nas vias aéreas e favorecendo doenças respiratórias crônicas.
Microbioma, imunidade e doenças
Alterações no microbioma estão implicadas em uma série de condições clínicas:
- Doenças inflamatórias intestinais (DII)
- Doenças autoimunes
- Doenças cardiovasculares (DCV)
- Câncer
- Infecções bacterianas resistentes a antibióticos
Por outro lado, uma microbiota equilibrada tem ação anti-inflamatória, participa da síntese de vitaminas e metabólitos neuroativos, e contribui para a saúde mental e cognitiva, reforçando o elo entre intestino e cérebro.
Microbiota: o elo entre corpo, mente e imunidade
A modulação positiva da microbiota é capaz de restaurar o equilíbrio imunológico e reduzir inflamações sistêmicas.
A alimentação, rica em fibras prebióticas, polifenóis, probióticos e alimentos fermentados, é a forma mais eficiente de promover essa modulação de forma natural e duradoura.
O Papel do Nutricionista
O nutricionista é o profissional-chave na estratégia de restauração do microbioma e na prevenção de doenças associadas à disbiose.
Na prática clínica, ele deve:
- Avaliar sintomas e marcadores de disbiose intestinal;
- Prescrever planos alimentares ricos em fibras e compostos bioativos;
- Orientar o uso racional de probióticos e prebióticos;
- Acompanhar biomarcadores inflamatórios e metabólicos;
- Integrar estratégias de modulação intestinal com outros profissionais da saúde.
Em resumo: cuidar do intestino é cuidar do corpo inteiro da imunidade à saúde cardiovascular e mental.
Referência:
Sharma, R., Singh, G., & Patel, M. (2024). The human microbiome and its impact on health and disease. World Journal of Clinical Cases, 12(5), 1124–1138. https://doi.org/10.12998/wjcc.v12.i5.1124