Jejum no tratamento da obesidade

Jejum no tratamento da obesidade.

Obesidade: um desafio mundial

A obesidade é uma doença crônica multifatorial. Atualmente é considerada a epidemia do século XXI, afetando tanto países desenvolvidos como aqueles em desenvolvimento. Apesar dos esforços dedicados à prevenção e ao tratamento nas últimas décadas, a prevalência e a incidência da doença não só não foram reduzidas como estão aumentando. Obesidade e sobrepeso afetam mais de um terço da população mundial e, se continuarem a crescer no ritmo atual, estima-se que 38% da população adulta estará acima do peso e 20% serão obesos em 2030.

A obesidade é uma doença caracterizada por um excesso de acúmulo de gordura. Surge quando a ingestão é maior do que o gasto de energia, desencadeando um desequilíbrio que se expressa fenotipicamente no excesso de gordura corporal. Os genes, os hormônios e a bioquímica do corpo desempenham um papel no ganho de peso tão determinante quanto o comportamento ou o estilo de vida.

A obesidade está associada a muitas comorbidades e a uma maior probabilidade de desenvolver doenças como diabetes mellitus, hipertensão, doenças cardiovasculares e, até mesmo, alguns tipos de câncer. Logo, é importante investir em sua prevenção e tratamento.

Tratando a obesidade

A maioria das diretrizes recomenda a dieta hipocalórica clássica como tratamento para a obesidade. Consiste em uma restrição de 500 a 1000 kcal por dia, com o objetivo de reduzir o peso corporal em 5% a 10% ao longo de um período de 6 meses, com uma perda de 0,5 a 1 kg por semana. ⠀⠀⠀⠀⠀

Porém, nos últimos anos, o jejum intermitente (JI) tem chamado a atenção como alternativa para o controle da redução de peso e melhora do estado de saúde. Existem várias formas de aplicar o JI, como o jejum em dias alternados, o jejum periódico (também chamado de dieta 5:2), a alimentação com restrição de tempo e o jejum religioso ou espiritual.

Jejum intermitente X restrição energética⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Uma meta-análise, que incluiu 18 artigos criteriosamente selecionados, teve como objetivo avaliar a eficácia do JI na redução dos parâmetros antropométricos, na adesão à dieta e na alteração da composição corporal e do perfil lipídico, em comparação à restrição energética contínua em adultos com sobrepeso ou obesos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀

No geral, as dietas de JI foram associadas a uma maior perda de peso em 4 estudos e à redução semelhante na circunferência da cintura em 1 estudo, em comparação com um regime de restrição energética contínua. Em 5 estudos, a massa gorda tendeu a diminuir mais nos grupos que aplicaram o jejum. No entanto, apenas 3 estudos observaram diferenças significativas nas variáveis do perfil lipídico, principalmente nos grupos de JI. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

A heterogeneidade na evidência atual limita a comparação do jejum intermitente com outras estratégias de perda de peso, mas evidências trazidas nesta meta-análise sugerem que o JI pode ser uma alternativa em redução de padrões de obesidade desde que realizado com adequado acompanhamento e monitoramento profissional.

Os números de prevalência de obesidade aumentam a cada ano, atingindo proporções epidêmicas em todo o mundo. Cabe aos profissionais da saúde entender todas as alternativas de tratamento possíveis, não apenas as tradicionalmente utilizadas, e aplicar aquela que melhor atenda ao paciente em sua individualidade.

Referências

Enríquez Guerrero, Andrea et al. “Effectiveness of an intermittent fasting diet versus continuous energy restriction on anthropometric measurements, body composition and lipid profile in overweight and obese adults: a meta-analysis.” European journal of clinical nutrition vol. 75,7 (2021): 1024-1039. doi:10.1038/s41430-020-00821-1

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Recentes

Ficou com alguma dúvida?

Fale com a gente pelo WhatsApp
(51) 99656.0240