Exercício celular: o elo perdido para a saúde

Segundo a OMS, as duas principais causas de morte no mundo são doenças cardíacas e acidente vascular cerebral. Estão intrinsecamente ligadas à supernutrição.

Escolhas alimentares ruins e sedentarismo, os gatilhos da supernutrição, geram as sobrecargas glicêmica e lipídica que vão desencadear as doenças crônicas. O exercício físico, por sua vez, estimula vias moleculares que diminuem os níveis de glicose e aumentam a proteção oxidativa via biogênese mitocondrial, prevenindo o diabetes e fortalecendo o corpo contra o dano oxidativo.

Cada vez mais, as dietas de jejum intermitente e os regimes de indução de hormese são avaliados em termos de seus efeitos benéficos na saúde e na longevidade.

Pesquisas recentes mostraram que a modificação dos hábitos alimentares possibilita que o corpo realize o “exercício celular”.

Neste artigo Iremos explorar:

Exercício celular

“Exercício celular” se refere a baixos níveis de estresse celular, induzidos por restrição calórica ou atividade física, que levam a adaptações moleculares no nível celular, protegendo o corpo de câncer e de doenças cardiovasculares.

Disciplina nutricional e exercícios para longevidade

A restrição calórica desencadeia múltiplas vias moleculares que, em última análise, levam a efeitos horméticos.

Um aumento nas espécies reativas de oxigênio induzidas pela restrição calórica e pelo exercício físico pode ativar o fator nuclear eritroides e melhorias de fase II no equilíbrio redox. O resultado é uma célula mais adaptável.

Baixos níveis de estresse oxidativo induzem Nrf2 a aumentar a produção de proteínas de choque térmico que regulam o dano oxidativo. O exercício celular pode atenuar os danos oxidativos agudos, que podem ter levado a danos inflamatórios, gerando aterosclerose e danos miocárdicos a longo prazo.

A restrição calórica também regula negativamente as vias de inibição do IGF-1 de proliferação e metástase carcinogênica. O exercício físico pode regular positivamente o IGF-1 para promover a biogênese mitocondrial e a síntese de proteínas, fortalecendo, assim, o músculo saudável contra dano isquêmico hipóxico e muscular.

Saúde e longevidade

Disciplina nutricional e restrição alimentar são como exercícios de resistência para nossas células. Provocadas por restrição calórica ou exercício físico, nossas células acabam produzindo fatores de transcrição que levam à proteção contra oxidação, inflamação, aterosclerose e câncer. No longo prazo, isso resulta em longevidade e diminuição de doenças. Há muito tempo os estudos demonstram os benefícios da restrição calórica sem desnutrição. O jejum periódico e a restrição calórica provocam aumento nos marcadores de regeneração e diminuem os biomarcadores para diabetes, câncer, doença cardiovascular e envelhecimento.

A longevidade pode ser aumentada através da moderação da dieta e do exercício. Pesquisas mostram que uma combinação das diversas dietas – dieta mediterrânea, DASH, dietas ricas em proteínas – com restrição calórica geral por meio de jejum periódico ou restrição calórica crônica proporcionará proteção contra doenças cardiovasculares, câncer e envelhecimento. O exercício também mostrou aumentar a longevidade na população em geral, podendo diminuir a incidência de diabetes e câncer, além de proporcionar benefícios psicológicos.

Pesquisas indicam que a incorporação de uma restrição calórica moderada ou de um regime de jejum pode fornecer benefícios substanciais com baixo risco. O exercício celular realizado na restrição calórica e o exercício físico podem aumentar a longevidade e prevenir os maiores assassinos de seres humanos sociedade de hoje – o acidente vascular cerebral e a doença cardíaca.

Referência

Pinches, Iv John L et al. “Could “cellular exercise” be the missing ingredient in a healthy life? Diets, caloric restriction, and exercise-induced hormesis.” Nutrition (Burbank, Los Angeles County, Calif.) vol. 99-100 (2022): 111629. doi:10.1016/j.nut.2022.111629

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