O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer de fígado e uma das principais causas de morte por câncer no mundo. No Ocidente, é a que mais cresce em incidência. A grande dificuldade? O diagnóstico precoce.
O CHC costuma surgir em pacientes com doenças hepáticas crônicas, como cirrose ou fibrose avançada. Ou seja: quando o fígado já está comprometido, silenciosamente.
Por isso, é fundamental fazer vigilância ativa em grupos de risco e entender como os biomarcadores podem ajudar nesse processo.

Neste artigo Iremos explorar:
ToggleO que é usado atualmente?
O rastreio padrão ainda é feito com ultrassonografia abdominal, realizada a cada 6 meses. Em muitos casos, ela vem acompanhada da dosagem da alfa-fetoproteína (AFP) no sangue.
O que é a AFP?
É uma proteína abundante no sangue fetal, que desaparece após o primeiro ano de vida. Em adultos, seus níveis só se elevam novamente em:
- Tumores hepáticos primários (como o CHC)
- Alguns tumores germinativos
- Casos de doença hepática ativa
Apesar de sua longa história clínica, a AFP é uma ferramenta controversa — pode falhar em detectar tumores iniciais ou gerar falsos positivos em outras condições hepáticas.
Então por que ela ainda é usada?
Porque ainda é útil, principalmente quando combinada com outros marcadores. E é exatamente isso que os novos modelos estatísticos vêm fazendo.
Modelos combinatórios que melhoram o diagnóstico
GALAD
Usa idade, sexo, AFP, AFP-L3 e DCP (outros dois marcadores tumorais).
Tem alta sensibilidade para detectar CHC em estágios iniciais (AUROC > 0,9).
BALAD
Avalia função hepática (bilirrubina e albumina) junto de AFP, AFP-L3 e DCP.
Funciona mais como marcador de prognóstico.
Esses modelos tornam a detecção mais precisa — até mesmo melhor que a ultrassonografia sozinha em alguns estudos.
Biópsia líquida: a nova fronteira
Imagine rastrear o tumor pelo sangue, mesmo sem imagem visível. Isso já é possível com a chamada biópsia líquida.
A partir de uma simples coleta de sangue, é possível analisar:
- ctDNA (DNA tumoral circulante)
- DNA mitocondrial
- RNA livre
- Fragmentos virais (como o HBV)
- Vesículas extracelulares
Esses elementos trazem pistas sobre mutações, carga tumoral e até resposta ao tratamento. Já existem estudos mostrando que eles identificam o CHC antes mesmo que ele apareça nos exames tradicionais.

O papel do nutricionista
Você atende pacientes com resistência à insulina, obesidade, NASH, transaminases alteradas, esteatose?
Esses pacientes estão na zona de risco para evolução para CHC.
O nutricionista funcional pode:
- Prevenir a progressão da doença hepática
- Detectar padrões de risco nos exames de rotina
- Trabalhar na modulação inflamatória e função mitocondrial
- Encaminhar para avaliação médica precoce
Mais do que tratar sintomas, é possível atuar na raiz do problema.