Colágeno, óleo de peixe e microbioma: o que a ciência mostra em pacientes com queimaduras graves

Pacientes com queimaduras graves passam por um estado de hipermetabolismo severo, inflamação intensa e alteração na função imunológica. Isso não impacta apenas a pele e os tecidos lesionados – a microbiota intestinal também sofre desequilíbrios importantes.

As queimaduras podem levar a um aumento da permeabilidade intestinal, perda da integridade da barreira e maior risco de translocação bacteriana, favorecendo infecções e complicações sistêmicas.

Qual foi a proposta do estudo?

Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego avaliou o efeito da suplementação de colágeno hidrolisado isolado ou combinado com óleo de peixe (rico em ômega-3) no microbioma de pacientes com queimaduras graves.

O objetivo era entender se esses nutrientes poderiam colaborar na modulação da microbiota intestinal, diante do estresse metabólico imposto por esse tipo de lesão.

Como foi feita a intervenção?

  • Participantes: 57 pacientes adultos com queimaduras graves.
  • Duração: 2 semanas.
  • Grupos:
    > Colágeno hidrolisado (40g) + óleo de girassol (10mL)
    > Colágeno hidrolisado (40g) + óleo de peixe (10mL) — fonte de ômega-3
    > Placebo
  • Frequência: Suplementação administrada 2 vezes ao dia.

O que os resultados mostraram?

  • Houve uma redução significativa de Bifidobacterium nos grupos controle e no grupo que recebeu apenas colágeno.
  • No grupo que recebeu colágeno + óleo de peixe (ômega-3), não houve redução de Bifidobacterium, sugerindo um efeito protetor do ômega-3 sobre a microbiota benéfica.
  • Foi observada uma diminuição na razão Firmicutes/Bacteroidetes no grupo que recebeu colágeno isolado, sem alteração nos outros grupos.

Nenhuma alteração significativa foi encontrada nos níveis de Lactobacillus, Enterobacteriaceae e Faecalibacterium prausnitzii.

O que isso significa na prática clínica?

O estudo indica que a combinação de colágeno hidrolisado com ômega-3 pode ter um efeito positivo na preservação da microbiota intestinal de pacientes queimados, possivelmente pela ação anti-inflamatória do ômega-3.

Por outro lado, o uso de colágeno isolado não demonstrou efeito benéfico sobre os marcadores da microbiota.

Os pesquisadores reforçam que ainda são necessários mais estudos para entender de forma mais ampla a relação entre queimaduras, disbiose, permeabilidade intestinal e intervenções nutricionais.

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O papel do nutricionista

O nutricionista tem um papel fundamental na condução clínica de pacientes críticos, como queimados. Mais do que atender às altas demandas proteicas, é preciso olhar para a saúde intestinal, inflamação e recuperação imunológica.

A combinação de nutrientes específicos – como colágeno e ômega-3 – pode ser uma estratégia promissora dentro da abordagem da nutrição funcional aplicada à prática clínica.

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