A Doença Inflamatória Intestinal (DII) – que inclui principalmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa – é uma condição crônica e imunomediada que afeta frequentemente mulheres em idade reprodutiva. Por isso, é comum que pacientes e profissionais de saúde se preocupem com os impactos da doença na fertilidade feminina.

Neste artigo Iremos explorar:
ToggleNova Evidência:fertilidade e inflamação histológica
Um estudo de coorte nacional trouxe dados inéditos ao comparar a taxa de fertilidade de mulheres com DII em dois momentos diferentes:
- Durante períodos com inflamação histológica ativa (detectada em exames de biópsia, mesmo sem sintomas clínicos evidentes); e
- Durante períodos de remissão histológica, quando não há sinais de inflamação tecidual.
Cada fase analisada teve duração média de 1 ano (366 dias), o que proporcionou uma visão mais concreta do impacto da atividade inflamatória “silenciosa” sobre a fertilidade.

Resultados que fazem pensar
Mesmo na ausência de sintomas clínicos (ou seja, com a doença aparentemente “controlada”), a presença de inflamação histológica foi associada a uma redução de 10% na fertilidade. Em termos práticos:
- 1 filho a menos a cada 6 mulheres com DII clinicamente ativa por 10 anos;
- 1 filho a menos a cada 14 mulheres com inflamação histológica (mesmo sem sintomas) por 10 anos.
Esses dados mostram que a atividade inflamatória subclínica pode, sim, ter impacto reprodutivo – algo que nem sempre é levado em consideração nos planos terapêuticos.
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Por que isso importa?
Além da questão da fertilidade em si, esse impacto pode influenciar negativamente a qualidade de vida e saúde mental da mulher, principalmente quando o desejo de engravidar está presente.
A mensagem que fica é clara: atingir e manter a remissão histológica deve ser uma meta terapêutica para além do controle dos sintomas. Isso reforça a importância do acompanhamento clínico cuidadoso, do uso de marcadores objetivos (como calprotectina fecal e exames de imagem) e da personalização da conduta terapêutica.
O papel do nutricionista
Nutricionistas que acompanham mulheres com Doença Inflamatória Intestinal precisam estar atentos não apenas aos sintomas clínicos evidentes, mas também à atividade inflamatória silenciosa — aquela que só aparece nos exames histológicos.
Essa inflamação, mesmo sem manifestações visíveis, pode comprometer a fertilidade e impactar a saúde reprodutiva da mulher de forma significativa.
Por isso, vale a reflexão:
Você considera a fertilidade como parte do seu olhar clínico nesses casos?
Já investiga ou acompanha exames de imagem, calprotectina ou biópsias em parceria com outros profissionais?
Essa é uma oportunidade real de oferecer um cuidado mais integral, baseado em evidências, que vai além do alívio dos sintomas e promove qualidade de vida e saúde plena para a mulher com DII.